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Obesidade e Diabetes Tipo 2 – Qual a ligação e a relação entre estas condições?

O sobrepeso e a obesidade são alguns dos principais fatores de risco associados ao diabetes tipo 2. É por isso que os especialistas lembram que a promoção de um estilo de vida mais saudável e melhorar a aderência dos pacientes aos tratamentos garantirá um melhor prognóstico destes pacientes, chegando, inclusive, a diminuir a sua prevalência entre a população.

diabetes tipo 2 e obesidade

Assim o demonstram os especialistas reunidos na IX Reunião Diabetes e Obesidade, em um encontro organizado pelo Grupo de Diabetes e Obesidade da FEMI/SEMI (Fundação e Sociedade Espanhola de Medicina Interna, respectivamente). Além de outras sociedades científicas, juntamente com a colaboração da Novartis, entre outras empresas. Este fórum científico proporciona um enquadramento para o intercâmbio e a atualização de conhecimentos na assistência e na abordagem terapêutica do paciente com diabetes tipo 2 e obesidade.

E é que, segundo referiu o presidente da SEMI, o Dr. Emilio Rocha Vales do Serviço de Medicina Interna do Hospital Universitário Lucus Augusti (Lugo), “a percentagem de população com obesidade está aumentando e a associação entre obesidade e diabetes é bem conhecida, quando aumenta a primeira, aumenta a segunda. Atualmente, cerca de 38% dos pacientes que entram nos Serviços de Medicina Interna sofrem de diabetes e representam cerca de 16% dos que atendemos, em consultas externas”.

Quase três em cada dez pessoas apresentam obesidade e a prevalência de diabetes tipo 2 em maiores de 18 anos chega a quase 14% da população, valor que dobra entre os maiores de 65 anos. E é que, segundo o estudo sobre diabetes e obesidade, o excesso de peso duplica o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Além disso, estes pacientes apresentam múltiplas complicações que podem envolver qualquer órgão do corpo: “problemas coronários, oculares ou renais, disfunção erétil entre outros problemas de saúde. Por isso é tão importante a prevenção dessas complicações: um bom cumprimento dos tratamentos e um melhor controle estão associados a uma maior qualidade de vida”, indicou o Dr. Rocha.

A educação em estilos de vida e o controle do paciente são dois dos desafios mais importantes no manejo destes pacientes. Para o Dr. Francisco Xavier, integrante do Serviço de Atenção Primária do CAP Sant Martí de Provençals (Institut Catalá de la Salut Barcelona), “os conselhos para melhorar os hábitos de vida relacionados com a alimentação e o exercício físico influencia de forma clara na prevenção da diabetes tipo 2 e obesidade. Há estudos sobre diabetes e obesidade que mostram que essas intervenções são eficazes, além de custo eficaz.”

A abordagem da diabetes tipo 2 em estágios mais adiantados da doença é, para os especialistas, é essencial: “É o momento ideal para conscientizar o paciente sobre sua condição, para oferecer uma atenção individualizada, com dicas que contribuam para melhorar a sua aderência e promover uma mudança em seu estilo de vida para que possa conviver com esta nova condição crônica” foi indicado o Dr. Rocha.

Estas primeiras fases são a chave para o desenvolvimento da doença, momento no qual, segundo os especialistas, “um tratamento intensivo e um controlo rigoroso da doença diabética, nas idades em que tratar a doença de forma intensiva não tenha riscos, implicará potencialmente benefícios a longo prazo. Vários estudos mostraram claramente os benefícios de ser intensivos durante os primeiros anos da doença diabética, chegando, inclusive, a uma redução da mortalidade observada nos dados post UKPDS”, concluiu o Dr. Rocha.