Estou valorizado |
Marco Mota |
Embora seja totalmente a favor de
qualquer medida que proíba ou iniba o consumo de bebida alcoólica
(sou abstêmio de nascença – risos), devo confessar
que essa lei recentemente assinada pelo presidente da República
é um pouco (bastante) radical. Por enquanto, tudo bem, mas acho
que o próprio Lula vai ter dificuldade para dirigir quando perder
o motorista oficial. Embora seja bem provável que depois de deixar
a Presidência ele se mude com sua família para a Itália
(para onde a dona Marisa já preparou antecipadamente o visto),
e possa tomar seu “vinho” sossegado. A quantidade permitida é mínima e já foi comparada a dois bombons de licor. Uma amiga em Brasília me falou que bochechar com Listerine também pode ser fatal na hora de passar pelo bafômetro. Agora tem o lado bom do problema (se é que é problema). Em casamento não precisa mais se preocupar com a qualidade do champanhe a ser oferecido aos convidados (vão ter que se contentar apenas com o bolo), basta uma boa para os noivos tirarem os tradicionais retratos, porque depois sempre tem alguém que os leve para casa. A lógica mais racional para os consumistas habituais (que não desejarem ser flagrados) é passar a beber em casa ou no bar mais próximo (não estou aconselhando, apenas mostrando alternativas), que permita voltar para casa andando, antes que essa nova lei também seja estendida aos pedestres. Para mim, como médico, livrou-me do constrangimento de perguntar se o cliente bebe. Basta perguntar se dirige, é bem mais simples – risos. Tem também o lado cômico da história, porque já começam a dizer que aqui em Maceió vai demorar que aconteça a primeira prisão (meu filho já falou que só não deseja ser o primeiro bêbado flagrado). O problema, dizem, será mais ou menos como naquela piada do inferno: “quando tiver guarda, não vai ter bafômetro; quando tiver bafômetro, não vai ter guarda; e, quando tiver guarda e bafômetro, vai faltar gasolina para os carros saírem em blitz ou faltarão bêbados”. Das possibilidades acima citadas, acredito (não, tenho certeza), o que nunca vai faltar são os guardas. Certa feita estava vindo de carro com minha filha e perguntei-lhe: ”Filha, qual a população atual de Maceió?”. Ela respondeu-me assim: “Painho, acho que um milhão e meio”. Eu então lhe disse: “É muito minha filha”. Ela, rindo, completou: “É que pelo menos quinhentos mil são guardas da SMTT”. Semana passada, estranhei o convite de um casal amigo que nunca mais havia ligado para dar uma saidinha. Depois que manifestei a minha surpresa, eles confessaram que, além da saudade que estavam de mim, desejavam mesmo era um motorista para trazer o carro de volta para casa. Como não bebo, passei a ser valorizado. |
|
.
. . | ||||
© 2005 O JORNAL Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do O JORNAL. | ||||
|
|