Que educação queremos para os filhos? |
Cristina Gomes |
Desde que entendo de educação,
professores cobram participação dos pais na educação
formal dos estudantes e, nestes dias tão permissivos, o sonho
do educador é que os pais retomem seu papel na educação
do caráter dos filhos e, por conseguinte, que ajudem a escola
no processo educacional durante os nove anos escolares. Esse foi o resultado
de uma longa pesquisa entre a revista Nova Escola e o Ibope, no final
de 2007. Mas esse resultado revela mais: o quanto os pais se distanciaram da relação familiar e, ocupados demais com trabalho e poder, terceirizaram o papel mais importante de suas vidas: o paterno papel de educador e líder familiar. E essa referência negada jamais se justificará ante as perdas a que somos submetidos todos os dias pela mídia, nos desenlaces vitais daqueles que deveriam ser o futuro de nossa nação. Como os pais podem acompanhar a educação dos seus filhos? Primeiro sendo pais, referências prioritárias dos seus filhos, estreitando essa relação nos afazeres dos primeiros contos e brincadeiras que descortinam a visão de mundo a ser ajustada pelos pais; nos primeiros esportes e, no dia-a-dia, onde pais e filhos têm “n” chances de crescerem juntos de forma inadiável. Quando deixamos de ser a referência de comportamento dos filhos, eles copiam qualquer um que lhes roube atenção, o super-herói de mentiras, o amigo agressivo, consumista, o adulto que lhe alicia para sexo, drogas... Que referência você tem sido para os seus? Mas ainda tem os processos de aprendizagem escolar, onde você devia ser parceiro nas atividades, nas pesquisas que ambos podem desenvolver, estreitando suas relações. Não é preciso ser especialista pra saber que uma das melhores formas de conhecer seu filho é através do que ele está aprendendo na escola. Assim vocês podem ajudá-lo a formar o seu caráter, ajustando seu foco, desenvolvendo metas e trabalhando para alcançá-las. Para isso, basta informar-se sobre a proposta pedagógica e o currículo da escola. Por exemplo: Você conhece a proposta da escola do seu filho? No que a escola contribui socialmente? Que referências éticas ela desenvolve? Em seus projetos, essa escola, de fato, desenvolve tais valores e, você percebe isso no crescimento do seu filho? Que discussões ela leva à comunidade? Onde isso afeta sua relação familiar e comunitária? Calma, pais não são pedagogos, nem psicólogos, e filhos não vêm com bula, por isso, se não os acompanharmos passo-a-passo, não saberemos onde eles estão se perdendo. E não poderemos ajudá-los a corrigir seus passos até que tombem. A melhor maneira de prevenir erros é acompanhar o processo educacional dos filhos. Desde os primeiros coordenados procuro apresentar aos pais, avós, cuidadores, e até aos possíveis terapeutas, o nosso projeto. Alguns psicólogos vêm nos conhecer e muitos se surpreendem com os resultados do estreitamento médico-escola-família, antes não obtidos. Sempre me preocupo em apresentar à família a escola que queremos e o que esperamos deles, para que saibam receber o nosso melhor. Avaliar resultados conjuntamente é uma excelente prevenção, pois não se aprende com os erros, mas se propondo a corrigi-los. Pais desinformados não têm bons resultados, seu filho pode ser nota 10, mas, imaturo emocionalmente, pode vir a ser um profissional nota zero, sem se tocar. Aproveite esse reinício para reatar relações entre seus filhos e a sua escola e conheça as ações que lhe dão identidade. O currículo é um documento oficial, público, disponibilizado pela Secretaria de Educação que rege a escola. Peça ajuda à coordenação para conhecer melhor essa realidade. E se isso lhe for negado, não se constranja em procurar uma escola que reconheça esse seu direito. Ser bons pais, além de seu dever, é seu direito. Até. |
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