| Nide Lins
Editora de Turismo
Alguma coisa acontece no meu coração/ que só quando
cruzo a Ipiranga e a Avenida São João/é que quando
eu cheguei por aqui eu nada entendi/ da dura poesia concreta de tuas
esquinas... Quando se caminha pelas ruas e avenidas de São Paulo,
os nomes nos remete a canções como esta, de Caetano Veloso,
batizada de Sampa.
Sampa tem arte, cultura, negócios, gastronomia, museus... E a
melhor maneira de conhecer essa metrópole brasileira é
caminhar pelas suas avenidas, a exemplo da Paulista, agitada, com um
vaivém constante de gente, como o músico pernambucano,
com o seu acordeom, tocando a música francesa de Edit Piaf, “La
Vie en Rose”. Indiferente aos passos apressados das pessoas, o
nordestino é o maestro da noite e, no chapéu, alguns trocados
o deixam feliz.
Ainda na Paulista, equatorianos vendem roupas de frio; já na
Avenida São João, o baiano conhecido como Bradesco vende
fatias de abacaxi e de melancia cuidadosamente envoltas em plástico.
É da venda dessas frutas que ele retira o seu sustento. Assim
é Sampa, um lugar com várias caras do mundo.
Este ano, as atenções vão para os japoneses, devido
aos cem anos da imigração. Para conhecer um pouco da tradição
oriental, a parada obrigatória é o bairro da Liberdade
– bairro japonês –, ideal para compras de artigos
japoneses. Mas um conselho: escolha entre segunda a sábado para
passear pelo bairro porque, no domingo, tem feira; contudo, sem identidade
cultural, ou seja, tem de tudo e muito pouco do país oriental,
com exceção das barracas de comidas orientais e do seu
Midori Hoshima.
Midori Hoshima faz do seu carro, na ponte da amizade, um ponto de venda
dos tradicionais kokeshis – bonecas japonesas originárias
do norte do país. Elas são manufaturadas em madeira, com
um tronco simples e uma grande cabeça, pintadas com finas linhas
para delinear o rosto. “Estou em São Paulo há mais
de 50 anos, gosto desse lugar”, declara o seu Midori Hoshima.
Em qualquer outro dia da semana é legal andar pelo bairro da
Liberdade, que tem lojas especializadas em produtos orientais, com direito
a uma padaria japonesa e muitos restaurantes, como o Tako (preço
bom e qualidade).
Encerrando o passeio no bairro da Liberdade, uma visita ao Museu da
Imigração Japonesa, onde se pode conhecer a história
dos cem anos dos imigrantes, que chegaram de navio para trabalhar nos
cafezais.
Atualmente, os orientais são uma rota do turismo paulista e,
graças aos japoneses, a gastronomia ganhou mais sabor com o sushi
e o sashimi. Uma arte culinária apreciada em cada canto do Brasil.
Cantos – Depois de saborear um sanduíche de mortadela
no Mercado Municipal e fazer compras na 25 de Março, siga em
direção ao Mosteiro de São Bento, localizado no
centro da cidade de São Paulo, no Largo de São Bento,
próximo ao Vale do Anhangabaú, um dos edifícios
históricos mais importantes da capital paulista.
Além da imponente arquitetura, os religiosos – todo final
de tarde –, em vez de missa, rezam através dos cantos gregorianos;
divino.
A alagoana Jeanine Fontan, que há quatro anos mora em São
Paulo, indica as missas aos domingos, às 10 horas, no Mosteiro
de São Bento, onde os monges servem um brunch (café da
manhã reforçado) com as centenárias receitas dos
monges. Jeanine Fontan escolheu o bairro do Jardim Paulistano para abrir
uma sede da Caleidoscópio – jóias artesanais. “Estamos
no showroom, o clube de estilo, em parceria com outras marcas brasileiras,
na identidade cultural, para criar peças com arte. Temos a sede
em Maceió; contudo, Sampa é uma vitrine para o mundo”,
disse.
A alagoana também indica um domingo de arte e cultura, na Feira
de Antiguidades, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), e uma
visita à Pinacoteca, na Estação da Luz, que tem
um senhor café no belo jardim do museu.
“É um programa bacana de São Paulo, a feira funciona
embaixo do prédio do museu e, ao lado, no Parque Triannon, tem
a feira hippie. No Masp tem, ainda, o restaurante Degas, muito legal.
Eu indico”, diz Jeanine, uma alagoana que conquistou Sampa. |